Especialista em Ortodontia e Aventureira Aérea (Contra a Sua Vontade)
Um Voo Calmo? Ja! A Minha Viagem Inter-Ilhas Pareceu um Filme de Suspense (Com Coolers e Mochilada Incluídos) Olá, sorrisos! A Dra. Rocío está de volta. Ou, melhor dizendo, a Dra. Rocío sobreviveu para contar a história.
Dra. Rocío Vidal
11/10/20253 min read
Acabo de chegar de um congresso maravilhoso no Porto, onde aprendi tantas coisas novas sobre sorrisos que quase me doíam os meus próprios músculos de tanto sorrir. Mas hoje não venho falar de dentes. Não, não. Hoje venho contar-vos a odisseia épica que foi a minha viagem de volta para casa. Sente-se, agarre um chá ou um mate, que a coisa fica intensa.
É possível fechar uma mala com fita-cola e dignidade?
A aventura começou, como todas as grandes histórias, com um problema de logística: as malas. Porque é que estamos sempre a levar e a trazer tanta coisa das ilhas? Pelos sabores! Não me arrependo. Mas o resultado foi ter de comprar fita-cola às 10 da manhã para conseguir fechar as malas como se fossem uma encomenda suspeita. Chegámos ao aeroporto, bebemos um cafezinho para "ir com a barriguinha quentinha" (expressão de avó, nível máximo) e entrámos no avião como umas profissionais.
E aqui vem o primeiro incidente. Já lhes aconteceu? Ia a caminhar pelo corredor, inocente da vida, e PUM! Dei uma mochilada na cabeça de uma senhora. Juro, foi sem querer. Mas o olhar que ela me deu... podia ter derretido o gelo dos polos! Fiquei com vontade de lhe dizer: "Minha senhora, tranquila, que eu endireito sorrisos, não cabeças". Mas pronto, imagino que nesse momento se tenha lembrado da mãe com saudades. Coisas que acontecem.
O Avião-Autocarro e a Hospedeira com Cara de Póker (Mal Conseguida)
O voo de São Miguel para o Pico é num aviazito que, carinhosamente, apelido de "o autocarro com asas". É minúsculo, com cinco lugares no fundo, tal e qual como um autocarro. Até me pareceu engraçado... no início. Tudo estava "bonito", como costumo dizer, até que o avião começou a fazer um barulhinho... estranho. "Bem, os aviões por vezes fazem barulhos estranhos", disse a mim mesma, tentando acalmar-me.
Mas então, a hospedeira começou a passar de banco em banco com um sorriso que não convencia ninguém. Lembram-se da cara da Nossa Senhora de Fátima? Assim, demasiado tranquila e doce. Disse-me que havia uma "avaria técnica" e que não iríamos aterrar no Pico. Nessa altura, o meu radar interno de dentista (que também deteta nervos) disparou. Aquela miúda queria pôr cara de póker, mas saiu-lhe um "póker nervoso". Nem conseguia fazer bem os sinais do truque, imaginem!
"O motor parou" e outros pormenres que não se quer ouvir a 10.000 pés de altitude
A coisa ficou preta quando, de repente, o motor do lado direito parou! Sim, leram bem. A minha amiga Carmen, que é uma craque (uma génia), disse-mo com uma calma que não sei onde foi buscar. Eu, por outro lado, já me estava a recitar um Pai Nosso mentalmente. O pior era ver o meu marido, a minha pessoa de confiança, o meu porto seguro, sentado seis lugares à frente. Estávamos tão perto e tão longe! Naquele momento, só queria agarrar-lhe a mão. Que romântica, não é? Até nas crises, penso nos detalhes.
O avião começou a descer com uma "descida de altitude pronunciada" (expressão técnica que significa "senti a alma a sair-me pelos pés"). Saltei do lugar e agarrei-me a onde pude, enquanto a Carmen me apertava a mão com uma força sobre-humana. As pessoas gritavam. Eu só pensava: "Se sobrevivermos, vou aplaudir como uma louca ao aterrar". Porque, sejamos sinceros, só nos Açores e na Argentina é que se aplaude ao aterrar. É a nossa ligação cultural! Somos apaixonados!
O Final (Feliz) e a Moral da História: Levem Sempre Coisas com Rodinhas
Por algum milagre divino (e um piloto que deve ter nervos de aço), o avião aterrou na ilha do Faial. Mas a odisseia não terminou aí. Oh, não. Tivemos de apanhar um barco com "muita agitação marítima" (leia-se: ondas para vomitar) e carregar nós mesmas TRÊS malas de 23 quilos, mochilas, coolers... uma tralheira monumental! Coube-me a mim a cooler sem rodas, a mais pesada. A parte boa é que faço ginástica, mas naquele momento teria trocado os meus músculos por um carrinho de supermercado.
No final, chegámos à clínica, que está em obras (essa é outra novela que contarei noutra altura, com portas que não coincidem e serrim por todo o lado), mas o importante é que chegámos bem.
Moral do dia: A vida pode dar-nos uma mochilada inesperada, um motor parado e um barco que dança, mas se no final do dia pudermos abraçar os nossos animais e rir de tudo, o sorriso permanece sempre.
Um abraço forte e até à próxima aventura!
A Dra. Rocío.
